Radiografia da seca no Nordeste, em novembro de 2019


Por Letras Ambientais
domingo, 24 de novembro de 2019

A seca no Piauí. Foto: Governo do Piauí.


O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) monitora a situação da seca nos estados do Nordeste brasileiro, a partir de satélites. De acordo com os mapas divulgados esta semana, os estados do Nordeste brasileiro enfrentam atualmente uma condição de seca intensa.

A situação já é bastante crítica e a maior parte dos municípios da região encontra-se em situação de emergência, de acordo com a Defesa Civil nacional. Esse reconhecimento permite que o governo federal transfira recursos para ações de resposta aos impactos da seca nos locais mais afetados.

A seguir, será feita uma radiografia da seca, com base na análise da umidade dos solos de cada município. As informações são obtidas a partir de imagens de satélites, que permitem mapear, com a mesma metodologia, toda a região.

A umidade dos solos é um índice de secas que fornece um panorama atualizado do avanço do fenômeno em cada área da região. A imagem de satélite pode subsidiar ações de contingência para a gestão de riscos e desastres na região.

Os dados dos municípios com reconhecimento federal de situação de emergência foram obtidos no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

O monitoramento da umidade dos solos, a partir de satélites, é uma das ferramentas que permite mapear a seca no Nordeste brasileiro, com dados mais atualizados. Essas informações são imprescindíveis à gestão de medidas de resposta à seca ou estiagem nos municípios da região.

A metodologia do Lapis, utilizada na elaboração desses mapas, é ensinada em uma passo a passo, simples e prático, no Treinamento Online “Produtos e serviços de satélites, com prática no QGIS”. Para se inscrever na última turma de 2019, clique neste site.

Confira a nossa análise da atual condição da seca no Nordeste, a partir de mapas.

Alagoas

A imagem de satélite da umidade dos solos em Alagoas mostra que 87 dos seus municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 15%, considerado muito baixa. O número corresponde a 85% dos municípios do estado que enfrentam seca atualmente.

Um total de 39 municípios foram reconhecidos em situação de emergência por conta da estiagem.

Bahia

De acordo com o monitoramento por satélites da umidade dos solos, na Bahia, 377 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 10%, considerado muito baixo. O número corresponde a 90% dos municípios do estado que enfrentam seca.

Segundo a Defesa Civil, 189 municípios estão em emergência, por ocasião de seca e estiagem.  

Ceará

A imagem de satélite mostra que, no Ceará, 176 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 10%, considerado muito baixa. O número corresponde a 95% dos municípios da região que enfrentam situação crítica de seca atualmente.

De acordo com a Defesa Civil, 58 dos municípios cearenses estão em situação de emergência, por ocasião de seca ou estiagem.

Maranhão

A imagem de satélite mostra que, no Maranhão, 178 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 15%, considerado muito baixo. O número corresponde a 82% dos municípios maranhenses que enfrentam situação de seca.

Apesar da seca no Maranhão, não há reconhecimentos vigentes de situação de emergência em municípios do estado.

Paraíba

A imagem de satélite mostra que, na Paraíba, 216 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 10%, considerado muito baixo. O número corresponde a cerca de 97% dos municípios do estado.

De acordo com a Defesa Civil, 177 municípios já foram reconhecidos em situação de emergência, por conta da estiagem.

Pernambuco

A imagem de satélite mostra que, em Pernambuco, 169 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 10%, considerado muito baixo. O número corresponde a 91% dos municípios do estado que enfrentam situação de seca intensa.

Segundo a Defesa Civil, 120 municípios pernambucanos já foram reconhecidos em situação de emergência pelo governo federal, por conta de seca ou estiagem.

Piauí

A imagem de satélite mostra que, no Piauí, 221 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 10%, considerado muito baixo. O número corresponde a 98% das localidades.

De acordo com a Defesa Civil nacional, apenas 45 municípios estão reconhecidos em situação de emergência no estado.  

Rio Grande do Norte

A imagem de satélite mostra que, no Rio Grande do Norte, 156 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 15%, considerado muito baixo. O número corresponde a 93% dos municípios do estado que enfrentam seca atualmente.

Não há reconhecimentos vigentes de situação de emergência em municípios do estado.

Sergipe

A imagem de satélite mostra que, em Sergipe, 53 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 15%, considerado muito baixo. O número corresponde a 70% dos municípios do estado que enfrentam seca atualmente.

De acordo com a Defesa Civil, apenas 8 municípios foram reconhecidos em situação de emergência pelo governo federal, por ocasião de seca e estiagem.

A imagem, a seguir, mostra um panorama da seca, a partir da análise da umidade dos solos, em toda a região do Nordeste e do Semiárido brasileiro. 

Quer aprofundar seus conhecimentos sobre o monitoramento da seca no Nordeste brasileiro? Recomendamos a leitura do livro “Um século de secas”. A obra analisa as principais lições deixadas pelas principais políticas públicas para as secas na região do Semiárido brasileiro, durante mais de 100 anos. Clique aqui para conhecer o Livro. 

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Conclusão

Com ações de treinamento e capacitação, muitos gestores e tomadores de decisão poderiam utilizar o potencial da ferramenta umidade dos solos para planejar ações de resposta à seca, em tempo hábil. Inclusive, ela pode ser útil para justificar a solicitação do reconhecimento federal de situação de emergência em municípios da região.

A medida é importante porque, ao atualizarmos o mapa da seca no Nordeste brasileiro, em novembro de 2019, identificamos que, em geral, o número de municípios em emergência é muito inferior às localidades que já enfrentam seca intensa. Isso significa que muitos municípios secos não dispõem de recursos para adotarem as medidas de resposta.

Desse modo, a gestão do risco de desastre, por conta de seca ou estiagem, requer uma constante atualização, com ferramentas adequadas. As imagens de satélite da umidade dos solos são alternativas efetivas para o planejamento das ações de contingência.

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